Rio Grande do Sul : inadimplência recua pelo segundo mês seguido, mas permanece entre as maiores da série histórica
Indicador de pessoas físicas da CDL POA registra nova queda em junho, enquanto inadimplência das empresas apresenta o maior recuo mensal desde o início do levantamento
A inadimplência das pessoas físicas voltou a recuar em junho/26 no Rio Grande do Sul e em Porto Alegre, segundo levantamento da Assessoria Econômica da CDL Porto Alegre, elaborado com base em dados da Equifax | Boa Vista. No Estado, o percentual de adultos com restrições em crédito, cheque ou protesto passou de 37,21% para 37,06%. Na Capital, o índice caiu de 37,83% para 37,54%. No âmbito estadual, o recuo atingiu 0,15 ponto percentual no confronto com maio, enquanto a diminuição na capital gaúcha alcançou 0,29 ponto percentual. É o segundo mês consecutivo de redução em ambos os recortes, movimento que não era observado desde 2024.
Efeito Desenrola Brasil
Apesar da melhora, os indicadores permanecem em patamares historicamente elevados. Tanto no Rio Grande do Sul quanto em Porto Alegre, as taxas representam os terceiros maiores níveis da série iniciada em 2022, evidenciando que o endividamento das famílias continua sendo um dos principais desafios para a economia.
O levantamento aponta que a recente redução está associada, principalmente, aos efeitos dos programas de renegociação de dívidas do governo federal, como o Novo Desenrola Brasil. No entanto, a CDL POA avalia que os resultados têm caráter conjuntural e ainda não representam uma mudança estrutural no cenário da inadimplência.
O economista-chefe da CDL Porto Alegre, Oscar Frank, destaca que a melhora observada nos últimos meses é positiva, mas deve ser interpretada com cautela: “A renegociação de dívidas produz um alívio importante para muitas famílias, mas não resolve as causas estruturais da inadimplência. O orçamento das pessoas continua pressionado pela inflação, pelo elevado custo do crédito e pela perda do poder de compra. Além disso, fatores como a falta de educação financeira e o crescimento das apostas esportivas contribuem para deteriorar a capacidade de pagamento da população”, afirma.
Pronampe, Procred e redução da taxa básica de juros ajudam a melhorar as finanças das empresas
Entre as pessoas jurídicas, o movimento de melhora foi ainda mais expressivo. No Rio Grande do Sul, o percentual de empresas com restrições caiu de 17,38% para 16,26% (declínio de 1,12 ponto percentual em relação a maio), enquanto em Porto Alegre o indicador recuou de 17,42% para 16,05% (-1,37 ponto percentual). Trata-se da terceira queda consecutiva e da maior redução mensal desde o início da série histórica, em junho de 2022.
De acordo com a Assessoria Econômica da CDL Porto Alegre, o desempenho reflete, entre outros fatores, a flexibilização das condições de linhas de crédito voltadas às micro e pequenas empresas, como Pronampe e Procred, além do início do ciclo de redução da taxa básica de juros. Ainda assim, o Rio Grande do Sul permanece como o Estado com o maior índice de inadimplência empresarial do País, com percentual significativamente superior à média nacional, de 11,5%.
Segundo Frank, o cenário macroeconômico também recomenda prudência para os próximos meses: “Embora o mercado espere novas reduções da Selic, esse ciclo deve ser bastante curto. Ao mesmo tempo, a desaceleração da economia, as incertezas internacionais e os reflexos do conflito no Oriente Médio sobre a inflação continuam impondo desafios para consumidores e empresas. Por isso, ainda é cedo para afirmar que estamos diante de uma reversão consistente da inadimplência.”
Sobre o indicador
O Indicador de Inadimplência da CDL POA mede o percentual de pessoas físicas e jurídicas com restrições em crédito, cheques, protestos ou ações judiciais, com base nas informações da Equifax | Boa Vista. O levantamento é utilizado como um termômetro das condições financeiras de consumidores e empresas.
Fonte : Catia Bandeira |CORE Comunicação & Relacionamento
