Estupro coletivo de adolescente no Rio de Janeiro : quarto foragido se entregou à Polícia Civil
O último homem foragido da Justiça no caso do estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos, que foi atraída para emboscada em apartamento no Bairro Copacabana, no Rio de Janeiro, se entregou à Polícia Civil no início da tarde de quarta-feira (4/3/26). O crime ocorreu no dia 31 de janeiro, e os suspeitos foram indiciados pela polícia na semana passada.
Bruno Felipe dos Santos Allegretti se apresentou à 54ª Delegacia de Polícia, em Belford Roxo, onde foi preso. Ele será enviado a um presídio.
Quatro homens, com 18 e 19 anos, e um adolescente, de 17 anos, participaram do crime, segundo a 12ª Delegacia de Polícia, de Copacabana, que conduziu as investigações.
Vitor Hugo Oliveira Simonin já tinha se entregado na manhã desta quarta-feira, assim como Matheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho, que procuraram a polícia na terça-feira (3/3/26).
Os quatro presos respondem por estupro, com agravante de a vítima ser adolescente, e também por cárcere privado.
O adolescente que também foi indiciado pelo crime é apontado pelas investigações como responsável por atrair a vítima para a emboscada no apartamento. Não houve prisão decretada no caso dele, que não é considerado foragido. Ele é investigado por ato infracional análogo aos crimes apurados.
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro não pediu a internação do jovem em unidade socioeducativa, conforme solicitado pela polícia. Em nota, a promotoria disse que eventuais medidas cautelares podem ser requeridas no decorrer da investigação.
Entenda o caso
Em janeiro, a vítima, uma aluna do Colégio Federal Pedro II, foi convidada por um colega da escola com quem já teve um relacionamento a ir à casa de um amigo dele, em um apartamento em Copacabana, na zona sul da cidade.
Ao chegar, o adolescente insinuou que eles fariam “algo diferente”. Como a jovem recusou, ela foi trancada em um quarto, onde denuncia que sofreu a violência por parte dos cinco indiciados.
Em entrevista à imprensa na terça-feira, o delegado responsável pelo inquérito, Ângelo Lages, informou que investiga mais dois casos semelhantes com a participação dos envolvidos nesse estupro coletivo. Lages ressaltou a importância de os jovens, ao se relacionarem, respeitarem limites.
“O que deve ficar claro, principalmente para os meninos, é que não é não. Isso é fundamental. A vítima do primeiro caso deixou muito claro, a todo momento, que não se relacionaria com mais ninguém (além do adolescente) em vários momentos”, destacou.
A Agência Brasil tenta contato com os advogados dos envolvidos. A defesa de João Gabriel Xavier Bertho nega que ele tenha participado do estupro. O espaço permanece aberto para incluir as demais versões.
Pai de estuprador é demitido
O subsecretário de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do governo do Rio de Janeiro, José Carlos Simonin, foi exonerado na terça-feira (3/3/26). Ele é pai de Vitor Simonin, um dos envolvidos no estupro coletivo contra a jovem de 17 anos. 

Segundo a Secretaria, a medida foi adotada no âmbito administrativo, visando resguardar a integridade institucional e assegurar a condução responsável dos fatos noticiados. “A Pasta reafirma seu compromisso com a dignidade humana e a preservação da vida”, informou em nota.
Mais dois casos de estupro cometidos contra alunas adolescentes do Colégio Federal Pedro II e praticados por integrantes do mesmo grupo
A Polícia Civil do Rio de Janeiro confirmou que investiga mais dois casos de estupro cometidos contra alunas adolescentes do Colégio Federal Pedro II e praticados por integrantes do mesmo grupo. Uma das denúncias envolve uma menina que tinha 14 anos à época e que agora está com 17.
À 12ª Delegacia de Copacabana, que investiga os casos, a segunda jovem disse, em depoimento, na segunda-feira (2/3/26), que os acusados sugeriram ter gravado imagens da violência, em 2023, como forma de chantageá-la a não denunciá-los.
A mãe dessa vítima ainda contou aos investigadores que, assim como a primeira vítima, a jovem conhecia um dos envolvidos, o único adolescente, da escola, o Colégio Pedro II.
O crime teria acontecido na casa de Matheus Veríssimo Zoel Martins, que se entregou à polícia civil na terça-feira (3/3/26), por ter participado do primeiro caso. Ele estava foragido.
“O que chamou a atenção da gente é que o modus operandi foi exatamente o mesmo: o adolescente infrator tinha a confiança da vítima, uma menina de 14 anos, à época, atraiu ela para um apartamento e lá, junto com ele estava o Matheus, preso aqui conosco, e mais uma terceira pessoa”, revelou o delegado responsável pelo caso, Antônio Lages.
A polícia pretende solicitar análise telemática para recuperar dados de celulares dos denunciados.
Um terceiro caso foi descoberto na terça-feira. No depoimento à 12 Delegacia de Polícia, a mãe da vítima relatou que Vitor Hugo Oliveira Simonin teria estuprado a filha dela no mês de outubro de 2025, durante festa junina, em um salão de festas.
“Como está muito no começo das investigações ainda, não sei se o ato foi praticado pelo grupo inteiro ou por um deles apenas”, esclareceu o delegado. Ele não deu mais detalhes sobre o local e a vítima, mas reforçou o pedido para que eventuais vítimas dos estupradores procurem a polícia para denunciar os fatos.
“A adolescente que foi vítima [em Copacabana] saiu do apartamento muito abalada, mas ela conseguiu contar para o irmão, para a mãe, e a mãe não teve dúvida, procurou a polícia”. A corporação tentou fazer a prisão em flagrante, mas não encontrou os rapazes no dia.
Lages disse que, nesse caso, o depoimento da vítima coincidiu com as lesões identificadas pelo exame de corpo de delito, o que acendeu o alerta da polícia para a gravidade do caso. “Ela tinha lesões no órgão sexual, nas costas, nas nádegas, inclusive, uma suspeita de fratura da costela, isso foi constatado pelo legista”, disse o delegado, sobre o estado em que a menina foi deixada.
Fonte : Agência Brasil
