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Camila Furlan e José Mattos Alvarado : o recado da NRF para o varejo brasileiro passa pelo Supply Chain

Camila Furlan e José Mattos Alvarado : o recado da NRF para o varejo brasileiro passa pelo Supply Chain Camila Furlan e José Mattos Alvarado : o recado da NRF para o varejo brasileiro passa pelo Supply Chain

Camila Furlan e José Mattos Alvarado : o recado da NRF para o varejo brasileiro passa pelo Supply Chain

Mais de 70% dos consumidores brasileiros deixam de comprar de uma marca após uma experiência ruim de entrega, segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico. O dado mostra por que a logística deixou de ser um assunto de bastidor no varejo. Durante anos, ela funcionou em um contexto de consumo mais previsível e ciclos de venda mais longos. Em discussões realizadas na NRF 2026, maior evento global do setor organizado pela National Retail Federation, ficou claro que esse cenário ficou para trás e que a aceleração das jornadas de compra colocou a cadeia de suprimentos no centro das decisões do negócio.

Para Camila Furlan é Diretora de E-commerce LATAM e José Mattos Alvarado é Diretor de Operações de Retail & E-commerce, ambos na DHL Supply Chain, o evento mostrou que o varejo já não enfrenta apenas pressão por custos, mas também por tempo. As decisões de compra ocorrem em menos etapas, os picos de demanda surgem sem aviso e o consumidor espera respostas rápidas. Nesse contexto, a logística deixou de ser apenas operacional e passou a influenciar diretamente a capacidade das empresas de cumprir prazos, proteger margens e sustentar o crescimento.

Essa mudança está ligada ao avanço do AI Commerce e do Social Commerce, que reduziram o intervalo entre a descoberta de um produto e a compra. No mercado brasileiro, isso se traduz em maior exigência por entregas confiáveis. Dados da ABComm indicam que a experiência logística se tornou decisiva para a fidelização, o que evidencia a falta de espaço para cadeias lentas ou pouco integradas.

Com a descoberta mais rápida, a demanda passou a ser menos previsível, como destacou a NRF ao tratar do impacto da viralização impulsionada por influenciadores e redes sociais, que faz com que produtos ganhem visibilidade em poucos dias e tenham aumento de procura sem planejamento prévio, movimento que, no Brasil, encontra cadeias de suprimentos com baixa visibilidade, elevando o risco de ruptura e prejudicando a experiência do consumidor.

Esse cenário se soma a um desafio estrutural ainda não resolvido, já que o avanço do omnichannel exige operações alinhadas à forma como o consumidor compra, alternando canais, esperando flexibilidade na entrega e sem separar o físico do digital, enquanto, na prática, muitas empresas brasileiras ainda operam com sistemas pouco conectados, o que eleva custos e reduz eficiência.

Outro tema que ganhou espaço no evento foi a logística reversa, muitas vezes subestimada no planejamento das empresas. Dados do Instituto de Logística e Supply Chain indicam que as devoluções podem representar até 10% do custo das operações de e-commerce. Sem processos claros de triagem, reaproveitamento e recommerce, a logística reversa deixa de ser apenas um desafio operacional e passa a afetar diretamente a rentabilidade.

Diante desse contexto, insistir em cadeias rígidas deixou de ser uma opção viável, como reforçou a NRF ao apontar que velocidade, flexibilidade e integração deixaram de ser diferenciais e passaram a ser condições básicas para operar em um varejo orientado por dados, tecnologia e comportamento digital, especialmente no Brasil, onde os custos logísticos já são altos e ignorar essa mudança amplia riscos e reduz a margem de erro.

Diante desse contexto, insistir em cadeias rígidas deixou de ser uma opção viável, como reforçou a NRF ao apontar que velocidade, flexibilidade e integração deixaram de ser diferenciais e passaram a ser condições básicas para operar em um varejo orientado por dados, tecnologia e comportamento digital, especialmente no Brasil, onde os custos logísticos já são altos e ignorar essa mudança amplia riscos e reduz a margem de erro.

Fonte : DFreire