Por Marissa Freitas, educadora física
Toda segunda-feira, depois das férias ou quando sentimos que precisamos mudar alguma coisa, fazemos promessas a nós mesmas: vamos começar a treinar, cuidar melhor da alimentação e finalmente colocar a saúde como prioridade.
Nos primeiros dias, a motivação parece não ter limites. Organizamos a agenda, planejamos os treinos e imaginamos os resultados que queremos alcançar. Mas, com o passar do tempo, a rotina aperta, o cansaço aparece e aquela disposição inicial começa a diminuir.
Por que isso acontece com tanta frequência?
Um dos motivos é que muitas vezes começamos com expectativas difíceis de sustentar. Queremos mudar tudo de uma vez, treinamos mais do que conseguimos manter e esperamos resultados rápidos. Quando a vida real não acompanha o planejamento idealizado, a frustração aparece.
Desistir nem sempre significa falta de força de vontade. Às vezes, a estratégia escolhida não cabia na rotina ou exigia mais energia disponível.
Também precisamos entender que motivação e hábito não são a mesma coisa.
A motivação pode nos ajudar a dar o primeiro passo, mas não estará presente todos os dias. Já a construção de uma rotina possível permite que o exercício físico continue fazendo parte da vida mesmo quando a vontade não é a mesma do início.
Isso não significa ignorar o cansaço, desrespeitar os limites do corpo ou transformar o treino em uma obrigação inflexível. Significa aprender a adaptar a rotina sem abandonar completamente o cuidado com a saúde.
Se uma semana ficou mais corrida, talvez seja necessário ajustar os treinos. Se o planejamento não está funcionando, pode ser hora de rever os horários, a frequência ou a estratégia. Em alguns momentos, reduzir o ritmo é justamente o que permite continuar.
O importante é entender que adaptar não significa fracassar.
Outro ponto fundamental é estabelecer objetivos realistas. Quando tentamos encaixar uma rotina de exercícios que não combina com nossas responsabilidades, nosso tempo e nossas necessidades, a chance de desistir aumenta.
O exercício físico precisa fazer parte da vida que temos, e não depender de uma vida perfeita que talvez nunca chegue. Um treino mais curto ou uma caminhada ainda podem ser o movimento possível de hoje. O que sustenta uma mudança não é fazer tudo perfeito, mas conseguir retomar.
Como educadora física, acredito que o sucesso não está em começar com intensidade máxima, mas em construir uma prática que possa evoluir com o tempo, respeitando cada pessoa.
Não precisamos esperar a próxima segunda-feira, o próximo mês ou o momento ideal para recomeçar. Podemos ajustar o caminho e continuar. Recomeçar não apaga o que já foi feito. Cada tentativa ensina o que precisa ser adaptado.
A motivação dá o impulso inicial, mas é uma rotina possível que sustenta o movimento.
Cuidar da saúde não exige perfeição. Exige escolhas possíveis e disposição para retomar o caminho.
Marissa Freitas
Educadora Física
Instagram: @marissafreitas