Diante do recorde de importações e da reversão nos empregos do varejo, a Coalizão Prospera Brasil cobra do Congresso Nacional isonomia tributária e a revisão da MP 1.357/2026.
A Coalizão Prospera Brasil inicia ações em defensa da isonomia tributária entre quem produz e emprega no Brasil e quem vende ao consumidor brasileiro a partir do exterior, e cobra do Congresso Nacional uma revisão da Medida Provisória 1.357/2026, que zerou o Imposto de Importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 — a chamada “taxa das blusinhas”. Para a Coalizão, os dados mais recentes de importação e de emprego formal mostram que a atual assimetria tributária já tem custo real para a economia brasileira, e que a revisão da MP é urgente.
Dados da Receita Federal sobre o Programa Remessa Conforme mostram que as importações internacionais de baixo valor bateram novo recorde em junho, primeiro mês completo sob a nova regra. O país recebeu 28,36 milhões de encomendas internacionais no mês — alta de 118% em relação a junho de 2025 e de 72% frente a abril, último mês completo do regime anterior. Na comparação com a média dos quatro primeiros meses de 2026, o avanço chegou a 84%.
Esse salto nas importações já aparece nos indicadores de emprego do próprio governo federal. O CAGED de maio/26, divulgado pelo Ministério do Trabalho, mostrou o fechamento de quase 3 mil vagas no varejo nacional — mês em que a MP 1.357/2026 vigorou por apenas 19 dias —, concentradas nos segmentos mais expostos à concorrência com plataformas estrangeiras, como vestuário, calçados e equipamentos de informática e comunicação. Entre o segundo semestre de 2024, quando o imposto de importação foi sancionado, e o início do segundo semestre de 2025, o varejo havia criado 150 mil empregos diretos — ganho que já dá sinais de reversão.
“Cada encomenda que entra no país sem a mesma carga tributária que a indústria e o varejo brasileiros pagam é, no limite, uma vaga de emprego formal que deixa de existir. O CAGED já mostrou o início dessa reversão em maio, com quase 3 mil postos fechados no varejo — e, se esse ritmo de importação continuar acelerando mês a mês, é a geração de 150 mil empregos diretos dos últimos anos que corre risco de desaparecer por completo”, afirma Edmundo Lima, diretor executivo da ABVTEX – Associação Brasileira do Varejo Têxtil.
Para a Coalizão, a trajetória mostra que o problema não é conjuntural, mas estrutural: a curva de importações vem em aceleração constante desde a edição da MP, sem sinais de estabilização, e já se reflete na destruição de empregos formais. A Coalizão Prospera Brasil reforça o pedido para que o Congresso Nacional leve esses números — de importações e de emprego — em conta na revisão da MP 1.357/2026, que precisa ser votada em até 120 dias contados da publicação.