O ‘Turismo como Estratégia de Estado’ por Edson Pinto*, diretor-executivo da Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp)
O Dia Mundial do Turismo, celebrado oficialmente em 27 de setembro, impõe urgente reflexão à cerca de contradições e de desafios a um dos setores de grande pujança na Economia nacional. Vejamos: o Brasil tem extraordinária vocação turística, mas ainda não transformou o segmento em verdadeira estratégia de Estado para o desenvolvimento econômico e social.
Em diversos países, o Turismo ocupa posição central em razão de sua capacidade de gerar empregos, distribuir renda, atrair investimentos e promover progresso regional. No Brasil, precisamos avançar nesta direção, independentemente de governos e de ciclos políticos.
De acordo com a Confederação Nacional do Turismo (CNTur), o segmento movimenta, atualmente, 52 setores da atividade econômica. Neste amplo ecossistema, a hospitalidade é fundamental. Hotéis, bares e restaurantes estão na linha de frente da cadeia produtiva, gerando empregos, ao passo em que movimentam fornecedores, produtores, prestadores de serviços e comércio.
O Turismo é, também, indústria essencialmente limpa, capaz de transformar cultura, gastronomia, patrimônio, natureza e identidade em desenvolvimento. Logo, a projeção da marca turística brasileira no exterior apresenta, de maneira sintomática, os produtos nacionais, a criatividade de nosso povo e a capacidade empresarial do País. O setor, enfim, abre portas para negócios e investimentos muito além de suas fronteiras.
Por outro lado, enfrentamos gargalos estruturais. Um dos mais graves é a falta de mão de obra. As empresas do segmento contribuem para o Sistema S – conjunto formado por nove entidades que atuam na formação profissional, no desenvolvimento social e no apoio a empresas e a trabalhadores de diferentes setores da economia brasileira. No entanto, os recursos do comércio e do Turismo estão reunidos no mesmo grupo de uma única organização, mas têm características e necessidades profissionais completamente distintas.
Na percepção do empresariado que a Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp) representa, o retorno de tal estrutura na formação de profissionais para estas operações e demais ramos da Hospitalidade está muito aquém das necessidades do mercado. Basta perguntar aos donos de negócios quantos de seus colaboradores chegaram para preencher as vagas de trabalho efetivamente formados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) — uma das entidades que o Sistema S abarca. O que se estima é que este número não passe de 1% do total.
Há outra contradição a ser destacada para reflexão: Turismo e hospitalidade estão entre as atividades com grande capacidade de geração de empregos, sendo, portanto, intensivos em Recursos Humanos (RH). Contudo, ficaram de fora da política de desoneração da folha de pagamento concedida recentemente pelo Congresso Nacional e pelo governo federal a importantes setores da economia. Trata-se de grave distorção e que precisa ser corrigida. Que fique claro: reduzir o custo da contratação no segmento não é privilégio – é estímulo ao emprego formal, à renda e ao desenvolvimento.
A isso se somam as incertezas decorrentes da Reforma Tributária. Para milhares de micros e de pequenas empresas, que já convivem, aliás, com margens estreitas e elevada carga de custos, eventual aumento significativo da tributação pode representar a diferença entre continuar operando ou baixar as portas.
Às vésperas de um novo ciclo eleitoral, deixamos um alerta aos futuros representantes da sociedade: o Turismo precisa de segurança jurídica, de tributação adequada, de qualificação profissional, bem como de políticas públicas que estimulem quem emprega e investe.
Assim sendo, a mensagem da Fhoresp àqueles que irão representar a sociedade brasileira a partir de 2027 é evidente: Turismo é emprego, renda, cultura, identidade e progresso. Consequentemente, o Brasil precisa tratá-lo como estratégia de Estado e não como cosmético.
*Edson Pinto é diretor-executivo da Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp); presidente do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes de Osasco, Alphaville e Região (SinHoRes); mestre em Direito, pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo; e autor do livro “Lavagem de Capitais e Paraísos Fiscais” (Editora Atlas).
Fonte : Fiamini – Soluções Integradas em Comunicação – Assessoria da Fhoresp