Em meio à circulação de fake news, o estudo mostra que 45,2% dos entrevistados admitem já ter considerado notícias falsas como verdadeiras antes de descobrir o erro.
A confiança na imprensa em geral ainda é majoritária no Brasil, mesmo em um contexto marcado pela desinformação e pela multiplicidade de canais de acesso à informação. Levantamento da multinacional de pesquisa online YouGov mostra que 79,6% dos brasileiros dizem confiar na imprensa em algum nível. Desse total, 44,1% afirmam confiar moderadamente, 19,7% um pouco, 9,6% muito e 6,1% extremamente. Na outra ponta, 15,7% dizem não confiar nem um pouco, enquanto 4,7% responderam não saber.
Os dados ganham ainda mais relevância quando observados ao lado da percepção do público sobre fake news. Segundo a pesquisa, 45,2% concordam que, às vezes, acham que notícias falsas são reais e só depois descobrem que estavam incorretas. Outros 31,4% não concordam nem discordam da afirmação, e 23,4% discordam. O resultado sugere um ambiente informacional em que a confiança na imprensa convive com dúvidas concretas sobre a veracidade de conteúdos que circulam no dia a dia.
“Em um ambiente em que a desinformação circula com velocidade, entender como o brasileiro percebe a imprensa ajuda a medir não apenas confiança, mas também os desafios atuais da credibilidade informativa”, afirma David Eastman, diretor-geral da YouGov para América Latina. Ele lembra que o estudo tem base em amostra nacionalmente representativa no Brasil.
A pesquisa também evidencia que quase metade dos entrevistados percebe viés na cobertura jornalística. Para 49,1%, as organizações de notícias tendem a fornecer apenas um lado da história, dependendo de quem as possui ou financia. Já 36,8% não concordam nem discordam da afirmação, enquanto 14,0% discordam desse entendimento.
Ainda assim, o consumo de notícias permanece elevado. De acordo com o levantamento, 72,5% afirmam ter lido, ouvido ou assistido a notícias nas últimas 24 horas, e outros 15,8% tiveram contato com conteúdo jornalístico nos últimos sete dias, mas não nas últimas 24 horas.
Entre as principais fontes de atualização aparecem:
- TV com 67,4%
- aplicativos e sites de redes sociais com 59,4%
- aplicativos e sites de notícias com 52,6%
- Conversas com amigos e familiares foram citadas por 35,9%, seguidas por rádio com 26,9% e podcasts com 24,9%.
O recorte também indica o que parte do público espera dos veículos jornalísticos. Para 53,9%, os jornais devem incentivar o debate e desafiar perspectivas. Já 65,3% concordam com a afirmação de que preferem jornais que não têm medo de dizer o que pensam. Ao mesmo tempo, 34,8% dizem confiar mais nos grandes jornais (modelos standard) do que em tabloides, enquanto 39,6% se mantêm neutros sobre essa distinção.
Em conjunto, os números revelam um cenário de forte presença do noticiário na rotina dos brasileiros, mas também de atenção redobrada à credibilidade, ao posicionamento editorial e à capacidade de distinguir informação jornalística de conteúdo enganoso.
Fonte : 26 Graus Consultoria em Comunicação