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O tarifaço do ‘desequilibrado’ Donald Trump

Indústria metalmecânica catarinense

Tarifas de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, pressionam exportações catarinenses e desafiam economia, analisa especialista

Para o professor Ricardo Bruno Boff, da Univali, nova taxa de 25% sobre produtos brasileiros é ‘protecionista’ e motivada por ‘questões políticas’. Indústria metalmecânica catarinense será uma das mais afetadas pela nova taxação.

Começaram a valer, na quarta-feira (22/07/26), as novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a uma série de produtos brasileiros. De acordo com o governo norte-americano, a taxa de 25% é justificada por “práticas comerciais injustas” praticadas pelo Brasil em relação ao mercado daquele país. Para o especialista em direito internacional e professor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Ricardo Bruno Boff, a medida pode ser considerada protecionista.

“O presidente Donald Trump prometeu essa política protecionista durante a campanha e a vem adotando, não só contra o Brasil, mas contra dezenas de países mundo afora. O objetivo é proteger a indústria interna, importar menos e abrir mais espaço para o produtor dos Estados Unidos. Há tarifas que ele aplicou no ano passado, que foram derrubadas pela Suprema Corte, outra de 10% que está vencendo agora e ele está renovando com esse anúncio”, explica o docente, que leciona nos cursos de Direito e Relações Internacionais da instituição.

De acordo com o Global Trade Alert, plataforma internacional vinculada ao centro de estudos independente St. Gallen Endowment, que monitora o comércio e a política industrial no mundo, a tarifa média sobre as exportações do Brasil aos EUA subirá de 11,7% para 18,2%. A partir do dia 26 de julho, esse montante deve ser reduzido a 14,4%, quando o período de aplicação da sobretaxa de 10% termina. A medida final representa meio ponto percentual a menos do que os 14,9% previstos na proposta de junho, segundo previsão da organização. Os setores de máquinas, madeira e açúcar devem ser os mais afetados.

“Dois desses três setores afetam diretamente a economia de Santa Catarina: o setor de madeira processada, móveis e tudo que envolve essa produção, que está localizada principalmente no Planalto Norte do Estado; e o das máquinas, equipamentos e metalmecânica, que se concentra na região de Joinville e Jaraguá do Sul”, destaca o professor. A estimativa da Federação da Indústria de Santa Catarina (FIESC) é de que 54,5% das exportações catarinenses sejam afetadas.

Para Ricardo Boff, que é mestre em Relações Internacionais e doutor em Integração da América Latina, o Brasil é um dos países mais afetados pelas taxas, também, por questões político-ideológicas. “Em geral, países cujos presidentes têm alguma divergência ideológica ou de linha programática com relação a Trump são mais atingidos. O Canadá, por exemplo, foi taxado esta semana em 50%, mais do que o Brasil, e o governo também não é um aliado do presidente norte-americano”, analisa.

O especialista acredita que uma solução poderia ser o governo brasileiro buscar alternativas diplomáticas para tentar driblar a medida, como abrir uma reclamação aos órgãos internacionais e incluir empresários nas negociações. “A tendência é manter as tratativas, continuar conversando e tentar convencer os Estados Unidos a abrir mais exceções, colocar empresários afetados na negociação e abrir alguma reclamação na Organização Mundial do Comércio (OMC), que tem um valor simbólico em nível mundial”, completa o professor.

A abertura de novos mercados em países asiáticos e sul-americanos, como China, Índia, Japão, Argentina, Colômbia e Peru, algo que o Brasil vem fazendo desde 2025, também é considerada uma boa alternativa para direcionar as exportações que iriam para os Estados Unidos. “Acelerar o acordo entre Mercosul e a União Europeia, já que o destino norte-americano não é mais confiável, pode ajudar a economia brasileira a sentir menos esse impacto”, finaliza Boff.

Fonte : Vivian Leal – Critério

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